layout de açougue
Casa de Carnes

Layout de açougue no supermercado: m2, fluxo e zonas em 2026

TL;DR: Layout de açougue no supermercado se resolve em três decisões: quantos metros quadrados (15, 30 ou 60 m2 muda tudo), como o cliente caminha do setor até a balança (entrada → vitrine → atendimento → pesagem) e onde cada zona vive (estoque/câmara fria, preparo/desossa, exposição, atendimento). Vitrine refrigerada com LED 3000-4000K, balcão de 90 cm de altura, piso com caimento para ralo e parede lavável até 2 m são o mínimo para passar em RDC 216 da ANVISA, NR-36 e NBR 16731. Açougue bem desenhado vende mais porque reduz tempo de fila, destaca corte de maior margem e evita perda — açougue mal desenhado virá bagunca de vitrine suja, cortes misturados e balança longe do balcão.

Layout de acougue de supermercado com balcao frigorifico, vitrine refrigerada e area de desossa ao fundo
Layout bem desenhado: vitrine a frente do cliente, balcão de atendimento e zona de desossa ao fundo, separadas por parede técnica.

Por que layout de açougue define venda e margem

Sábado, 10h. A senhora para em frente da vitrine, olha a fraldinha em cima do contrafile e não sabe o que ela quer. O açougueiro está atendendo outra pessoa do outro lado do balcão, a balança fica a 4 metros é o cartaz de preço é um adesivo desbotado colado no vidro. Ela sai sem comprar. Mesmo açougue, mesma carne, mesmo preço — layout ruim mata a venda antes do atendimento começar.

Layout de açougue no supermercado não é decoração, e operação. Decide quantas pessoas cabem na frente da vitrine ao mesmo tempo, quanto tempo o cliente espera pra ser atendido, quais cortes ele ve primeiro (e, portanto, quais vende mais) e o quanto o açougueiro consegue produzir por hora. Desenha bem, vende 15 a 30% a mais com a mesma equipe. Desenha errado, acumula fila na hora do movimento e virá reclamação no grupo do bairro.

O tripe que um layout competente resolve

  • Fluxo: por onde o cliente entra, olha, pede, pesa e paga — sem cruzar com o açougueiro carregando peça.
  • Zonas: estoque/câmara fria, preparo/desossa, exposição e atendimento separados por parede ou barreira técnica.
  • Normas: RDC 216 da ANVISA (higiene e fluxo), NR-36 (segurança do trabalho) e ABNT NBR 16731 (referência técnica do setor).

Os três se atendem juntos ou nenhum se atende direito.

Dimensões ideais por faixa de loja (15, 30 e 60 m2)

O erro mais comum e copiar layout de açougue grande em loja pequena. Cada faixa de metragem pede proporção diferente de vitrine, balcão, câmara e área de desossa. O que funciona em 60 m2 virá labirinto em 15 m2.

Açougue compacto — 15 m2 (mercadinho independente de até 200 m2)

  • Vitrine refrigerada: 2,0 a 2,5 metros lineares, dupla face (cliente ve, açougueiro serve de trás).
  • Balcão de atendimento: integrado a vitrine, 2,0 a 2,5 metros lineares.
  • Área de preparo/desossa: bancada de 1,2 a 1,5 metro ao fundo do balcão.
  • Câmara fria: mini-camara de 3 a 4 m3 (cabe 120 a 180 kg em ganchos e prateleira) ou geladeira vertical dupla.
  • Circulação do cliente na frente: 1,2 metro mínimo para duas pessoas passarem.
  • Capacidade: 1 açougueiro fixo + 1 ajudante em pico.

Açougue médio — 30 m2 (mercadinho de 300 a 600 m2)

  • Vitrine refrigerada: 4 a 5 metros lineares, com divisão entre bovina, suína, frango e embutido.
  • Balcão de atendimento: 4 a 5 metros lineares, com 2 pontos de atendimento.
  • Área de preparo/desossa: bancada de 2,5 a 3 metros + mesa auxiliar para moedor e fatiadeira.
  • Câmara fria: câmara dedicada de 6 a 10 m3, com gancheira e prateleira inox.
  • Circulação do cliente: 1,5 metro na frente da vitrine, 1,8 metro em horário de pico.
  • Capacidade: 2 açougueiros + 1 ajudante.

Açougue grande — 60 m2 (supermercado de vizinhanca de 800 m2+)

  • Vitrine refrigerada: 7 a 10 metros lineares em “L” ou linha reta, com 4 a 6 divisorias por proteina.
  • Balcão de atendimento: 7 a 10 metros, com 3 a 4 pontos de atendimento simultaneo.
  • Área de preparo/desossa: sala dedicada de 10 a 15 m2, com duas bancadas inox, moedor industrial, serra-fita e fatiadeira.
  • Câmara fria: câmara principal de 12 a 20 m3 + antecamara de preparo refrigerada a 10 °C.
  • Circulação do cliente: 2 metros na frente da vitrine.
  • Capacidade: 3 a 5 açougueiros + 2 ajudantes em pico, com área de embalagem e etiquetagem.

Ajuste essas medidas ao giro real do açougue — um açougue de 30 m2 que gira 2 toneladas por mês precisa de vitrine próxima do teto da faixa; se gira 600 kg, mantém na base. O guia do SEBRAE para montagem de açougue tem planilha de dimensionamento que cruza venda estimada com metragem.

Acougue de supermercado com balcao, vitrine e acougueiro em atendimento ao cliente
Açougue de porte médio: vitrine de 5 metros, dois açougueiros em atendimento e câmara fria integrada ao fundo.

Fluxo do cliente: entrada → vitrine → balcão → balança

Todo layout competente obedece a uma sequência de atenção do cliente. Quebra a sequência, quebra a venda.

1. Entrada no setor

O cliente entra no setor depois de passar por hortifruti ou laticinios. A boca do açougue deve estar visível da coxia principal — nada de açougue escondido no fundo da loja atrás de prateleira de detergente. Piso do setor pode ter mudança de cor (cinza do supermercado virá branco do açougue) pra sinalizar chegada.

2. Vitrine como vitrine de loja de luxo

A primeira coisa que o cliente ve é a vitrine refrigerada. Ela precisa parar o cliente — cortes organizados, cor vermelha viva, gelo decorativo, sal grosso no fundo, LED destacando a carne. Cliente para, olha, decide. Se ele precisa “procurar” o corte, a vitrine está ruim.

3. Balcão de atendimento a 40-60 cm da vitrine

Do lado que o cliente pede, o balcão de atendimento. Açougueiro do outro lado, com carne, faca e balança ao alcance da mão. Distância entre vitrine e cliente: 40 a 60 cm, para ele apontar o corte. Distância entre cliente e açougueiro (pelo topo do balcão): 1,0 a 1,2 metro, suficiente pra conversa e proteção.

4. Pesagem e pagamento

Balança digital fica no balcão, a menos de 1 metro do ponto de atendimento — não do outro lado da loja. Em açougue de supermercado com etiquetagem própria, a balança emite etiqueta que o cliente leva direto pro caixa. Em açougue autônomo (fora do supermercado), tem PDV integrado a balança é o pagamento sai ali mesmo.

Fluxo quebrado (cliente pede, açougueiro pesa 5 metros longe, volta, entrega, cliente vai pro caixa do outro lado) virá fila e reclamação. Fluxo curto (pede, pesa, embrulha, etiqueta, segue) gira o dobro de cliente na mesma hora.

As 4 zonas do açougue é o que vive em cada uma

Dentro do retangulo do açougue, quatro zonas convivem — e não podem se misturar. A RDC 216 da ANVISA exige fluxo unidirecional entre área suja e área limpa.

Zona 1 — Estoque e câmara fria

Entrada de peça inteira do fornecedor, recebimento, conferência de temperatura (carne bovina a até 7 °C, aves a até 4 °C, congelado a -18 °C, conforme regulamento do MAPA) e armazenagem. Porta da câmara abre para área interna, não direto para o salao de venda. Antecamara refrigerada entre câmara e preparo evita choque térmico.

Zona 2 — Preparo, desossa e moagem

Área mais crítica. Bancada inox com até 90 cm de altura, serra-fita fixada em ponto com dreno e bandeja, moedor em mesa separada da bancada principal (não se mistura com desossa de peça grande), fatiadeira em área própria. Ambiente climatizado a até 12 °C — açougueiro trabalha com casaco térmico, mas carne mantém temperatura segura.

Zona 3 — Exposição (vitrine refrigerada)

Saida da área de preparo já vai pra vitrine. Corte chega embalado ou disposto em bandeja inox, refrigerado a 2-4 °C. Reposição e continua: quando um corte abaixa, repoe antes da vitrine “mostrar buraco”.

Zona 4 — Atendimento e pesagem

O lado público. Açougueiro atende, pega da vitrine, pesa, embala, etiqueta e entrega. Pia de higienização das mãos a menos de 1,5 metro do ponto de atendimento, exigida pela RDC 216 — com torneira de acionamento sem contato manual (pedal ou sensor).

Vitrine refrigerada: altura, profundidade, iluminação e divisão

Vitrine é o equipamento de maior impacto em venda. Especificação correta virá loja que “da água na boca quando o cliente passa”.

Medidas padrão de vitrine refrigerada

  • Altura do tampo de exposição: 85 a 95 cm do piso — cliente ve sem abaixar.
  • Profundidade: 70 a 90 cm — suficiente pra duas fileiras de bandeja.
  • Altura do vidro frontal: 40 a 50 cm acima do tampo (protege de espirro, não bloqueia visão).
  • Ângulo do vidro: inclinado 10 a 15 graus pro cliente — reduz reflexo e melhora visão.
  • Temperatura interna: 0 a 4 °C, com termometro visível.

Divisão por tipo de carne

Vitrine que mistura bovina, suína, frango e embutido no mesmo espaço gera confusao. Divide por baia, com placa de identificação e cor discreta no fundo:

  • Bovina — a entrada, ocupando 40 a 50% da vitrine. Cortes do dia ao centro, cortes de maior margem (picanha, maminha, contrafile) na altura do olho.
  • Suína — 20 a 25% da vitrine. Bisteca, costela, linguiça caseira.
  • Frango — 15 a 20%. Peito, coxa, sobrecoxa, frango inteiro.
  • Embutido e defumado — 10 a 15%. Linguiça, bacon, calabresa.
Vitrine refrigerada de acougue com cortes bovinos expostos sobre bandejas inox e gelo decorativo
Vitrine com cortes separados por proteina, bandeja inox, gelo decorativo e iluminação LED neutra realcando a cor da carne.

Balcão de atendimento: medidas e distância do cliente

O balcão é a mesa onde o açougueiro trabalha do lado interno. Mede e posiciona mal, ele se movimenta em excesso e atende menos cliente por hora.

  • Altura do tampo do balcão: 88 a 92 cm — faixa ergonômica confirmada pela NR-36 pra evitar LER e lombalgia.
  • Profundidade útil (do açougueiro): 70 a 80 cm — cabe tabua, faca, balança e embalagem.
  • Comprimento por posto de atendimento: 1,5 a 2 metros — menos que isso, dois açougueiros batem cotovelo.
  • Distância vitrine → cliente (do lado externo): 40 a 60 cm — cliente aponta sem esticar, não encosta o peito no vidro.
  • Distância açougueiro → cliente (pelo topo do balcão): 1,0 a 1,2 metro — conversa natural, proteção sanitária.
  • Tampo: inox AISI 304 escovado ou polipropileno de alta densidade branco.

Balança digital fica a no máximo 80 cm da posição do açougueiro, em altura de 90 cm, com visor voltado pro cliente. Em açougue informatizado, a balança se conecta ao PDV e emite etiqueta com código de barras — reduz erro de digitação e acelera caixa. Se ainda usa balança mecânica, pensa em trocar: o controle de perdas no açougue depende de pesagem precisa.

Equipamentos essenciais e onde posicionar cada um

Lista básica de equipamento em açougue de supermercado, com posição típica no layout.

  • Câmara fria (zona 1): compressor externo, porta para área interna, termometro digital com registro diário obrigatório pela RDC 216.
  • Serra-fita (zona 2 — preparo): fixada em ponto com dreno, afastada 1 metro da bancada de desossa, com protetor facial na parede e protetor auricular no suporte.
  • Moedor elétrico (zona 2): em mesa separada, com bandeja coletora e abastecimento próximo ao freezer de carne moida.
  • Fatiadeira (zona 2): área própria pra frios e bacon, higienizada separada da desossa de peça crua.
  • Bancada de desossa (zona 2): inox, 88 cm de altura, com rack de faca próximo, chaira e afiador fixos na parede lateral.
  • Vitrine refrigerada (zona 3): frontal ao cliente, com LED 3000-4000K e divisoria por proteina.
  • Balcão de atendimento (zona 4): imediatamente atrás da vitrine, com balança digital, embaladora a vacuo (opcional em açougue médio é obrigatória em açougue grande), maquina de embalar bandeja com filme PVC e computador PDV.
  • Pia de higienização: com acionamento sem contato, sabao antisséptico, papel toalha descartável e dispenser de alcool 70% — a menos de 1,5 metro do ponto de atendimento.
  • Lixeira com pedal: identificada (residuo orgânico x residuo não orgânico) em pelo menos 2 pontos do setor.

Quem está montando do zero acha caro equipar tudo de uma vez, mas cada item abaixo tem função de compliance e segurança. Vale cruzar com o guia de EPIs para açougue: equipamento sem EPI correspondente virá auto da fiscalização.

Piso, parede e teto: revestimento exigido por norma

A RDC 216 é os regulamentos do MAPA especificam revestimento para serviço de alimentação. Material errado tira o alvará da vigilância sanitária municipal.

Piso

  • Material: porcelanato técnico antiderrapante ou monolítico epoxi industrial.
  • Cor: clara (branco, cinza claro, bege) — mostra sujeira, obriga limpeza.
  • Caimento: 1 a 2% em direção ao ralo sifonado, com grelha inox.
  • Rejunte: epoxi anti-microbiano, não cimenticio (cimento comum absorve gordura e escurece).

Parede

  • Revestimento lavável até 2 metros de altura: azulejo 30×45, porcelanato técnico ou painel PRFV (plástico reforcado com fibra de vidro, liso e sem rejunte).
  • Acima de 2 metros: pintura epoxi lavável, cor clara.
  • Canto entre piso e parede arredondado (meia-cana) — exigência RDC pra evitar acumulo de sujeira.

Teto

  • Forro PVC ou placa lavável, sem juntas abertas.
  • Altura mínima de 2,7 metros, com ventilação cruzada ou ar-condicionado dimensionado para exaustao de calor da câmara e da serra-fita.
  • Luminária com proteção anti-estilhaco (se quebrar, não cai caco na carne).

Iluminação que destaca carne sem “deixar a vitrine amarela”

Iluminação errada é o erro mais silencioso do açougue. Luz amarela (2700K) faz a carne parecer velha. Luz muito branca (5000K+) esverdea e faz parecer congelada.

Temperatura de cor por zona

  • Vitrine refrigerada: LED 3000K a 4000K (branco neutro). Alguns fabricantes oferecem LED específico “carne” com espectro vermelho realcado (tom 2900K com índice de reprodução de cor alto) — realca sem “pintar” artificialmente.
  • Área de atendimento (salao): 4000K.
  • Zona de preparo: 5000K — branco neutro a frio, melhora identificação de residuo e sujeira na bancada.
  • Câmara fria: 4000K, luminária LED estanque.

Posição da luminária na vitrine

  • Fita ou barra LED fixada no topo interno da vitrine, voltada pra bandeja (não pro vidro).
  • Intensidade de 500 a 800 lux no plano da carne.
  • Complemento opcional: spot dirigido para o corte de maior margem (picanha, maminha) — aumenta venda desse SKU em 10 a 20%, de acordo com testes de merchandising de loja.

Sinalização de preço: cartaz grande, impressão que funciona

Em açougue, cartaz pequeno não funciona. O cliente decide em 3 a 5 segundos na frente da vitrine, é precisa ler preço sem grudar o rosto no vidro.

  • Tamanho mínimo do cartaz de preço: A5 (14,8 x 21 cm) por corte — abaixo disso o cliente não le.
  • Destaque dos números: fonte bold de 60 a 90 pontos para o preço principal, 30 a 40 pontos para “R$” e “kg”.
  • Cor: fundo branco ou cor de proteina (vermelho pra bovina, rosa pra suína, amarelo pra frango), número preto. Evita cartaz neon colorido — polui e não converte.
  • Material: papel cartão plastificado ou acrílico trocável. Cartaz de giz não funciona em açougue — poeira de giz em área de carne não passa na RDC 216.
  • Destaque de promoção: bandeira ou selo “oferta hoje” por cima do preço normal, com preço de riscado.

Açougue com mais de 20 cortes expostos ganha muito em ter tabela impressa em A3 na lateral da vitrine, com todos os preços do dia — cliente consulta rápido, escolhe antes de chegar no balcão. Pra quem usa encarte digital, vale cruzar com o guia de combos de carnes pra montar combo do dia e expor na vitrine como pacote pronto.

Exposição dos cortes por margem, gelo e sal grosso

Onde o corte fica na vitrine muda quanto ele vende. Regra básica de merchandising: o que tem maior margem fica na altura dos olhos e na frente; o que tem menor margem (e maior giro natural) fica nas laterais ou no fundo.

Ordem de exposição

  • Altura do olho, centro: picanha, maminha, contrafile, file mignon — maior ticket, maior impacto visual.
  • Altura do olho, laterais: cupim, alcatra, fraldinha.
  • Abaixo do olho, centro: patinho, lagarto, coxao mole — cortes pra cozinhar que giram muito.
  • Fundo da vitrine: acem, musculo, peito — cortes de panela, cliente pede já sabendo o que quer.
  • Lateral extrema: osso, órgão, carne moida — giro por preço, não por vitrine.

Gelo decorativo e sal grosso

Camada de gelo picado sob a bandeja inox cria efeito visual de frescor e reforca a percepção de qualidade — desde que seja gelo decorativo (não entra em contato direto com a carne, sempre separado por bandeja). Sal grosso em bolo embaixo de peças como picanha e tomahawk virá cenário de “açougue gourmet” e convida compra por impulso.

Acougue gourmet com pecas bovinas expostas sobre sal grosso e bandeja inox
Exposição premium com sal grosso e cortes nobres na altura do olho — técnica que aumenta venda de picanha em até 30%.

Fluxo do açougueiro e mise-en-place

Do lado interno do balcão, o açougueiro tem um fluxo próprio. Se tiver que andar 5 metros pra cada corte, atende metade do cliente por hora.

Mise-en-place do balcão

  • A mão direita: faca do dia (desossa, pequena, cebeceira), chaira e tabua de corte.
  • A mão esquerda: balança digital, rolos de filme PVC e papel manteiga, bobina de etiqueta.
  • Atrás do açougueiro: rack de faca reserva (limpas e afiadas) e pia de higienização.
  • Abaixo do balcão: gaveta de embalagem (saco plástico, bandeja, etiqueta virgem).
  • Ao lado: lixeira com pedal pra aparar e gordura.

Rotina de reposição

A cada 45 a 60 minutos, açougueiro ou ajudante passa pela vitrine e repoe o que saiu. Corte zerado na vitrine por mais de 15 minutos virá venda perdida — cliente que não acha, não espera. Checklist de reposição fica na porta da câmara, colado junto com o controle de perdas.

Seis erros que destroem açougue bem montado

  • Vitrine suja. Impressão digital no vidro, gordura acumulada, bandeja com residuo — corta a venda mesmo com corte fresco. Limpeza da vitrine e protocolo de 3 vezes por dia (abertura, meio-dia e fechamento).
  • Cortes bagunçados. Bovina misturada com suína, embutido ao lado de frango cru, peça grande no meio de fraldinha embalada — vitrine virá “olha e sai sem comprar”.
  • Balança longe do balcão. Açougueiro anda 3 metros pra pesar, cliente espera, fila cresce. Balança fica a até 80 cm da posição de atendimento.
  • Iluminação amarela. Luz 2700K pinta a carne de cinza. Troca de luminária custa menos de R$ 400 e muda a percepção da loja.
  • Cartaz de preço pequeno ou escrito a mão. Impressão simples em A5 resolve. Giz não entra em açougue (RDC 216).
  • Falta de separação de zona suja e zona limpa. Desossa encostada em atendimento e flagrante de auto em fiscalização. Parede técnica ou porta vai-e-vem resolve.

Evitar esses seis erros custa pouco e vale mais que qualquer campanha — e a base pra virar o açougue de referência do bairro, como discutimos no guia de dicas para inovar no açougue.

Próximos passos depois de fechar o layout

Layout resolvido, o açougue virá maquina. A sequência razoável pra 90 dias seguintes:

  • Mês 1: medir, desenhar no papel (ou em app gratuito tipo floorplanner), marcar zonas no chao com fita crepe antes de comprar qualquer coisa.
  • Mês 2: trocar vitrine e balcão se precisar, ajustar iluminação, imprimir cartaz novo.
  • Mês 3: rodar rotina de reposição, medir giro por corte e ajustar exposição pela margem real.
  • Mês 4 em diante: cruzar com encarte semanal e combo de carnes — tem cortes expostos e cartaz bom, o encarte amplifica a vitrine.

Responda no nosso WhatsApp: sua picanha está na altura do olho do cliente hoje? Se a resposta e “não sei” ou “está no fundo da vitrine”, esse é o primeiro ajuste pra fazer está semana.

Perguntas frequentes sobre layout de açougue no supermercado

Qual a dimensão mínima de um açougue em supermercado?

Não ha metragem mínima absoluta em lei, mas na prática um açougue operacional em mercadinho independente começa em 15 m2 (vitrine de 2,5 m, balcão integrado, bancada de 1,5 m e mini-camara de 3 a 4 m3). Abaixo disso, o setor virá “ilha de carne” sem conseguir cumprir a separação de zonas exigida pela RDC 216 da ANVISA. Açougue médio resolve em 30 m2, e açougue grande (supermercado de vizinhanca) opera confortável em 60 m2.

Qual a altura ideal do balcão de atendimento no açougue?

Entre 88 e 92 cm do piso, faixa ergonômica confirmada pela NR-36. Balcão muito alto cansa o ombro do açougueiro; muito baixo obriga a curvar a coluna e gera lombalgia. Tampo em inox AISI 304 escovado ou polipropileno de alta densidade branco, com profundidade de 70 a 80 cm para caber tabua, faca, balança e embalagem. Distância entre a borda do balcão é o cliente, pelo topo, fica entre 1,0 e 1,2 metro.

Que temperatura deve ter a vitrine refrigerada do açougue?

Entre 0 e 4 °C para carne bovina, suína e aves resfriadas, com termometro visível pelo cliente e registro diário de temperatura, conforme RDC 216 e regulamentos do MAPA. Congelado exposto permanece a -18 °C em freezer separado. Temperatura acima de 4 °C em vitrine de resfriado e não-conformidade em fiscalização sanitária e motivo de multa e recolhimento de produto.

Qual iluminação funciona melhor na vitrine do açougue?

LED com temperatura de cor entre 3000K e 4000K (branco neutro com tom morno), com intensidade de 500 a 800 lux no plano da carne e índice de reprodução de cor alto (IRC acima de 90). Existem LEDs específicos para carne com espectro vermelho realcado que destacam a cor sem pintar artificialmente. Luz 2700K deixa a vitrine amarelada e envelhece a carne, 5000K esverdea e parece congelada — ambas derrubam venda.

Preciso separar a área de desossa do balcão de atendimento?

Precisa. A RDC 216 da ANVISA exige fluxo unidirecional entre área suja (recebimento, preparo, desossa) e área limpa (exposição, atendimento), com barreira física (parede técnica, porta vai-e-vem ou antecamara). Desossa encostada no balcão de atendimento e auto certo em fiscalização sanitária e risco real de contaminação cruzada entre carne crua em preparo e carne embalada em exposição.

Qual o revestimento correto de piso e parede em açougue?

Piso em porcelanato técnico antiderrapante ou monolítico epoxi industrial, cor clara, com caimento de 1 a 2% para ralo sifonado, rejunte epoxi anti-microbiano e canto arredondado (meia-cana) entre piso e parede. Parede em azulejo, porcelanato ou painel PRFV até 2 metros de altura, pintura epoxi lavável acima. Teto em forro PVC ou placa lavável, sem juntas abertas. Cimento comum no rejunte e madeira em bancada não passam em RDC 216.

Onde posicionar a balança digital no açougue?

No próprio balcão de atendimento, a no máximo 80 cm da posição do açougueiro, em altura de 90 cm, com visor voltado para o cliente. Em açougue informatizado, a balança se conecta ao PDV e emite etiqueta com código de barras que vai direto para o caixa, reduzindo erro e acelerando fila. Balança longe do balcão (do outro lado da loja, por exemplo) quebra o fluxo, gera fila e derruba a capacidade de atendimento do setor em até 40%.

Como organizar a vitrine refrigerada por tipo de carne?

Divide por baia: 40 a 50% para bovina, 20 a 25% para suína, 15 a 20% para frango, 10 a 15% para embutido e defumado, com placa de identificação e cor discreta no fundo. Dentro de cada baia, o corte de maior margem (picanha, maminha, contrafile) fica na altura do olho e ao centro; cortes de panela (patinho, lagarto, acem) ficam abaixo e nas laterais; osso, órgão e moida no fundo ou lateral extrema. Bandeja inox, gelo decorativo e sal grosso sob os cortes nobres completam a apresentação.