mercadinho de bairro
Supermercado

Mercadinho independente: guia completo para abrir e lucrar em 2026

TL;DR: Mercadinho independente e a loja de vizinhança de 80 a 300 m2 que vive do cliente fiel e da compra de reposição. Para abrir, você precisa de R$ 120 mil a R$ 350 mil de capital inicial, ponto com fluxo de pedestre, mix de 800 a 1.500 SKUs ancorado em cesta básica, licença sanitária da vigilancia municipal e alvara de funcionamento. Margem bruta média fica entre 18% e 24%, giro de estoque ideal e 30 a 45 dias, e o marketing que funciona e WhatsApp + encarte + atendimento pelo nome. Este guia cobre cada bloco em profundidade.

Fachada de mercadinho independente com clientes entrando e saindo em final de tarde de dia util
Fachada de mercadinho independente bem resolvido: iluminação forte, vitrine com oferta da semana e letreiro que le da calcada oposta.

O que e mercadinho independente (e o que não e)

Mercadinho independente e a loja de autosservico alimentar de pequeno porte, geralmente entre 80 e 300 metros quadrados, que atende clientes a pe num raio de 300 a 800 metros. E a loja em que dona Lurdes passa três vezes por semana pra comprar pão, cerveja e um tomate, e em que o caixa conhece o nome do cachorro dela.

Segunda-feira, 10h. Você olha o Excel de faturamento do mês passado, a lista de contas a pagar e o orcamento do novo freezer. Seu marido pergunta se ainda vale a pena abrir o tal mercadinho perto da rua movimentada ou se e melhor deixar como está. A diferença entre as duas respostas e um plano escrito em cima de número real. Este guia entrega esse plano inteiro, do capital inicial ao dia em que da pra abrir a segunda loja.

Mercadinho, minimercado, supermercado: o que muda

A linha não e academica, mas o mercado usa mais ou menos assim:

  • Mercearia: até 80 m2, sem autosservico completo, balcão atende o cliente item a item, 200 a 500 SKUs.
  • Mercadinho (minimercado): 80 a 300 m2, autosservico com 2 a 4 check-outs, 800 a 1.500 SKUs, foco em bairro.
  • Supermercado de vizinhança: 300 a 700 m2, 4 a 8 check-outs, 2.500 a 5.000 SKUs, atende bairro + clientes de carro.
  • Supermercado (convencional): 700 a 2.500 m2, 8 a 20 check-outs, 8.000+ SKUs.

O dado da ABRAS no Ranking do Autosservico mostra que o formato de vizinhança cresce acima da média do setor todo ano desde 2020, puxado justamente pelo cliente que quer comprar perto de casa e com menos tempo no carro.

Perfil do cliente de mercadinho independente

O cliente do mercadinho não e o cliente do Carrefour. Ele compra pouco por vez, varias vezes por semana, no trajeto entre o trabalho e a casa. Entender isso muda tudo: o mix, a exposição, a hora de abrir, o tom do encarte.

As três personas que sustentam o faturamento

  1. A compra de reposição diária: ticket baixo (R$ 15 a R$ 40), alta frequência (3 a 5x por semana), foco em perecivel (pão, frios, fruta, leite, ovo). E o cliente que mantem a loja viva entre as compras grandes.
  2. A compra de aflicao: ticket médio (R$ 20 a R$ 60), frequência variável, acontece quando o cliente esqueceu de algo ou precisou urgente (óleo acabou no meio do almoco, a criança quer o danone do mercado). E o cliente que paga um pouco mais caro porque o valor ali e conveniência, não preço.
  3. A compra de complemento semanal: ticket mais alto (R$ 80 a R$ 200), frequência de 1x por semana, geralmente no sábado. Cliente que fez o grosso no atacarejo e vem no bairro pegar o resto.

Saber qual das três sustenta o seu bairro define 80% do mix. Em bairro de classe C e D, a reposição diária e dominante. Em bairro de classe B, a complementar de sábado puxa mais. Em rua comercial, a de aflicao explode na hora do almoco.

O que o cliente valoriza de verdade

Pesquisa do SEBRAE sobre pequeno varejo alimentar mostra que, após preço, os três criterios de escolha de loja são: proximidade, atendimento e confiança na validade do produto. Preço e importante, mas não e o primeiro. E por isso que “atender pelo nome” não e cafonice – e vantagem competitiva.

Quanto custa abrir: capital inicial real

O capital inicial para abrir um mercadinho independente de 100 a 200 m2 no Brasil em 2026 fica entre R$ 120 mil e R$ 350 mil, dependendo de cidade, ponto e se a reforma e leve ou pesada. Abaixo, a quebra realista que o SEBRAE usa em consultoria de abertura.

Investimento fixo (o dinheiro que sai do caixa uma vez)

  • Luvas e adequacao de ponto: R$ 15 mil a R$ 80 mil (depende do ponto).
  • Reforma, piso e pintura: R$ 15 mil a R$ 45 mil.
  • Equipamento refrigerado (freezer, balcão de frios, geladeira de cerveja, câmara): R$ 25 mil a R$ 60 mil.
  • Gôndolas, checkout, cestos e balcão: R$ 15 mil a R$ 35 mil.
  • PDV, impressora fiscal, balança, leitor: R$ 8 mil a R$ 20 mil.
  • CFTV + antifurto + alarme: R$ 4 mil a R$ 12 mil.
  • Letreiro, fachada, sinalização interna: R$ 4 mil a R$ 10 mil.

Subtotal fixo: R$ 86 mil a R$ 262 mil.

Capital de giro (o dinheiro que fica rodando)

  • Estoque inicial de abertura: R$ 30 mil a R$ 70 mil (para loja com giro de 30 dias, precisa de um mês de estoque).
  • Caixa pra 3 meses de operação no vermelho: R$ 25 mil a R$ 60 mil (aluguel, folha, conta de luz, INSS, Simples).
  • Marketing de abertura: R$ 3 mil a R$ 8 mil (encarte digital no WhatsApp e Instagram, cartazes na fachada, ativação na rua).

Subtotal giro: R$ 58 mil a R$ 138 mil.

Quem ignora o capital de giro e o motivo número 1 de mercadinho fechar no primeiro ano. O IBGE mostra na Demografia das Empresas que mais da metade dos pequenos negócios de alimentar encerram antes de completar cinco anos. E quase sempre capital de giro subestimado.

Prateleira de mercadinho independente com itens de cesta basica organizados por categoria
Prateleira de mercadinho bem abastecida: cesta básica no meio da loja, perecivel no fundo, conveniência perto do caixa.

Escolha de ponto: o que decide antes do mix

A escolha do ponto decide 60% do resultado do mercadinho antes de você vender a primeira caixa de leite. Ponto ruim com gestão ótima raramente vira loja lucrativa. Ponto bom com gestão média sobrevive e cresce.

O checklist de 7 criterios que o SEBRAE aplica

  1. Fluxo de pedestre: conte a quantidade de pessoas que passam na calcada em três horários (8h, 12h, 18h) durante 15 minutos. Se não passa 40 pessoas em cada janela em dia útil, e ponto fraco.
  2. Densidade populacional no raio de 500 metros: quanto mais gente morando a pe, melhor. Plataforma de geomarketing ou mesmo o mapa do IBGE ajuda.
  3. Concorrencia direta: tem outro mercadinho em menos de 300 metros? Se sim, da pra bater? Em que?
  4. Acesso e estacionamento: esquina > meio de quadra. Calcada larga > calcada estreita. Vaga de 2 carros na frente dobra ticket médio.
  5. Geradores de trafego: escola, posto de saúde, padaria consolidada, ponto de ônibus, agencia bancaria. Cada um deles e combustivel de fluxo.
  6. Custo do aluguel em relação ao faturamento esperado: aluguel não pode passar de 4% a 6% do faturamento projetado. Se passar, o ponto e caro demais.
  7. Condição do imóvel: pe direito de 3 metros, instalação eletrica trifasica, água com pressão, entrada lateral pra recebimento de mercadoria. Sem isso, a reforma come todo o capital.

Ponto barato quase sempre e ponto caro

Ponto com aluguel de R$ 3 mil em rua sem fluxo fatura R$ 80 mil por mês na marra. Ponto com aluguel de R$ 8 mil em esquina de escola fatura R$ 250 mil. O primeiro aluguel pesa 3,75% do faturamento e “parece caro”. O segundo pesa 3,2% e “parece barato”. E o segundo.

Mix mínimo viavel: o que precisa estar na prateleira

O mix mínimo viavel de um mercadinho independente tem entre 800 e 1.500 SKUs divididos em nove blocos. Abaixo dele, o cliente faz uma viagem a loja grande. Acima, você vira refem de estoque parado e quebra.

Os nove blocos que não podem faltar:

  1. Cesta básica (mercearia seca): arroz, feijão, macarrao, óleo, açúcar, café, farinha, molho de tomate, sal, leite em po. 120 a 180 SKUs.
  2. Perecivel refrigerado: leite, iogurte, queijo, presunto, manteiga, margarina, requeijao, linguica, ovo. 80 a 140 SKUs.
  3. Padaria e matinal: pão francês, pão de forma, biscoito, bolo, achocolatado, cereal, geleia, leite condensado. 60 a 100 SKUs.
  4. Bebidas: refrigerante, cerveja, água, suco, energetico, café pronto. 80 a 150 SKUs (cerveja sozinha pode ter 20 SKUs).
  5. Hortifruti: frutas, verduras, legumes, temperos frescos. 50 a 80 SKUs. (Detalhamos o mix ideal em o que mais vende em mercadinhos independente.)
  6. Carnes, aves e frios: boi, porco, frango, linguica, frios fatiados. 30 a 60 SKUs (se tiver balcão com atendente).
  7. Congelados: pizza, lasanha, polpa de fruta, hamburguer, salgados, acai. 40 a 70 SKUs.
  8. Limpeza e higiene: sabao em po, amaciante, desinfetante, detergente, sabonete, papel higiênico, fralda. 100 a 160 SKUs.
  9. Conveniência de caixa: bala, chiclete, chocolate, pilha, fosforo, cigarro. 40 a 80 SKUs (e o bloco que puxa impulso).

A regra da curva ABC para supermercados diz que 20% dos SKUs fazem 80% do faturamento. No mercadinho, o grupo A costuma ser arroz 5kg, feijão 1kg, cerveja long neck, refrigerante 2L, leite 1L, óleo, pão francês, café, sabao em po e papel higiênico. Se um desses dez falta na prateleira, o cliente percebe e pensa duas vezes antes de voltar.

Fornecedores: quantos você precisa ter

Um mercadinho de 200 m2 trabalha com 30 a 60 fornecedores ativos. Eles se dividem em três grupos:

  • Atacadista generalista: 1 a 3 (Assai, Atacadao, Tenda, Max Atacadista, atacadista regional). Entrega ou você vai buscar. Resolve 40% a 60% do mix básico.
  • Distribuidores de industria: 20 a 40. Nestle, Unilever, Ambev, Coca, P&G, Piracanjuba, M. Dias Branco, Bimbo. Entrega programada, as vezes semanal. Resolve marca de peso.
  • Fornecedor local: 10 a 20. Padaria de pão francês, hortifrutista da Ceasa, açougueiro, laticinios da regiao. E o bloco que da diferenciacao.

Antes de abrir conta com qualquer um, confirma CNPJ, serasa e referência com dois outros clientes deles. Consulta rápida na Serasa Experian evita dor de cabeça depois.

Licenças, regulação e Simples Nacional

Abrir mercadinho independente no Brasil exige cinco documentos de base. Sem eles, a loja pode abrir mas vive com o risco de autuacao e interdicao. A lista vale pra quase todo município – o que muda e a taxa e o órgão emissor.

Os cinco documentos obrigatórios

  1. CNPJ + inscricao estadual: abertura via contador. CNAE principal geralmente 4711-3/02 (comércio varejista de mercadorias em geral, com predominancia de produtos alimenticios – minimercados, mercearias e armazéns).
  2. Alvara de funcionamento municipal: emitido pela prefeitura após vistoria de uso e ocupacao do solo.
  3. Licença sanitária: emitida pela Vigilancia Sanitária do município, seguindo a RDC 216 e a RDC 275 da ANVISA para alimentos. Exige plano de higienizacao, controle de pragas e, se tem balcão de frios ou açougue, manipulacao de alimentos.
  4. Auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB): extintores, sinalização de saida, iluminação de emergência. Varia por porte e município.
  5. Licença ambiental (se aplicável): em cidade com secretaria de meio ambiente forte, a loja precisa apresentar plano de gerenciamento de residuos sólidos (especialmente se tem açougue).

Simples Nacional: qual anexo

Mercadinho independente se enquadra no Anexo I do Simples Nacional (comércio). A aliquota inicial e de 4% sobre o faturamento até R$ 180 mil por ano, subindo por faixas até 19% no topo (faturamento de R$ 4,8 milhoes). Mercadinho tipico opera nas faixas 2 a 4 (4% a 10,7%).

Atenção: o que você paga de Simples e menos que o que você paga de ICMS. Produto da cesta básica em muitos estados tem ICMS reduzido ou isento por substituição tributaria – o contador que sabe ler a legislação estadual faz diferença real no mês.

Precificação, margem e giro tipicos

A margem bruta média de mercadinho independente no Brasil fica entre 18% e 24% sobre o faturamento. E menor que a do açougue isolado (28% a 35%) e que a da padaria de produção própria (30% a 40%), mas o volume compensa: a loja gira o estoque inteiro a cada 30 a 45 dias.

Margem por bloco (de referência de mercado)

  • Mercearia seca de marca A: 8% a 14% (arroz, feijão, óleo, café – categoria mais apertada porque o cliente compara preço).
  • Perecivel refrigerado: 20% a 30%.
  • Hortifruti: 30% a 45% (com quebra de 3% a 6% em cima).
  • Padaria e matinal: 25% a 40%.
  • Bebidas (cerveja e refrigerante): 18% a 28%.
  • Limpeza e higiene: 22% a 32%.
  • Conveniência de caixa: 35% a 55% (bloco de margem mais alta da loja).

O calculo que todo dono precisa fazer toda semana

Margem bruta – despesa fixa – quebra – tributo = lucro líquido. Para um mercadinho de 200 m2 que fatura R$ 200 mil/mês:

  • Margem bruta média: 22% = R$ 44 mil
  • Folha + encargo: R$ 14 mil
  • Aluguel + condominio + IPTU: R$ 8 mil
  • Luz + água + internet + telefone: R$ 6 mil
  • Quebra + perda: R$ 3 mil
  • Simples (faixa 3): R$ 4 mil
  • Manutenção + material de limpeza + outros: R$ 3 mil
  • Lucro líquido: R$ 6 mil (3% do faturamento)

Lucro líquido saudável em mercadinho independente fica entre 3% e 6% do faturamento mensal. Acima de 6%, ou você está girando muito bem, ou está trabalhando sem folha adequada (risco de passivo trabalhista). Abaixo de 2%, a loja não sobrevive a uma geladeira quebrada.

Marketing: WhatsApp, encarte digital e ativação de rua

O marketing que funciona em mercadinho independente cabe em três canais: WhatsApp, encarte e atendimento. Esquece Google Ads, esquece Instagram patrocinado pra “atrair público novo”. O jogo e reter quem já mora perto.

Cliente de mercadinho independente fazendo compras com cesta cheia na corredor de higiene
O cliente decide no balcão e no WhatsApp: marketing de mercadinho e relação, não mídia paga.

WhatsApp: a mídia que paga o mês

Lista de transmissao com 300 a 800 clientes ativos envia o encarte da semana, a oferta do dia e o lembrete “chegou o queijo bom”. Duas regras simples:

  • Máximo 3 envios por semana. Mais que isso, cliente sai.
  • Sempre imagem + preço + validade da oferta + endereco da loja. Nunca texto solto.

Encarte: o cartaz que vira receita

Encarte digital enviado na sexta-feira de manhã converte mais que qualquer ativação de rua. Produtos de capa: 3 itens de cesta básica (arroz, óleo, cerveja) com preço abaixo do mercado, e 2 itens de margem alta (queijo, congelado) com preço normal. O primeiro puxa fluxo, o segundo paga o encarte.

Estratégia completa com cinco mecânicas testadas no post 5 campanhas imbativeis que estão movimentando os mercados.

Ativação de rua e bairro

Ativação de rua em dia de pagamento (dia 5 e dia 20) pela equipe da loja — com uniforme da marca, degustação em balcão na calçada e convite direto pra cadastrar no WhatsApp da loja — puxa 1% a 3% de conversão em bairro. Ativação de abertura com balão, degustação e foto pra WhatsApp custa R$ 800 e traz 50 a 150 clientes novos no sábado.

Para aprofundar o restante das taticas (fachada, programa de fidelidade, delivery próprio, tecnologia de PDV), vale o complemento em 6 dicas para mercadinho independente.

Erros comuns que quebram mercadinho novo

Seis erros quebram a maioria dos mercadinhos antes do quarto ano. Todos são evitaveis com disciplina.

  • Misturar caixa da loja com caixa de casa. Erro número 1 no ranking do SEBRAE. Dono tira dinheiro do caixa pra pagar mensalidade da escola, não anota, fim do mês não bate. Solução: pro-labore fixo em conta separada.
  • Comprar no olho, sem curva ABC. Prateleira cheia de produto B e C parada e prateleira com ruptura nos itens A. Cliente que não acha o arroz de sempre vai no concorrente.
  • Ignorar a quebra. Hortifruti, perecivel e padaria juntos podem quebrar 4% a 8% do faturamento se ninguém pesa. Planilha de quebra diária não e luxo – e sobrevivencia.
  • Demitir caixa no segundo mês e não repor. Fila no caixa e o motivo silencioso de cliente sumir. Cliente que esperou 15 minutos em pe não volta.
  • Não ter segundo fornecedor pro item A. Dependencia total de um atacadista pro arroz faz você virar refem de preço e prazo. Dois fornecedores, mesmo que um fature 80% e o outro 20%, garante poder de negociação.
  • Abrir sem capital de giro pra 3 meses. Loja boa demora 60 a 120 dias pra equilibrar o caixa. Quem abre sem reserva pra esse período quebra antes da loja ficar boa.

Quando expandir: sinais de que da pra crescer

A tentacao de abrir a segunda loja costuma chegar antes da hora. Três sinais objetivos dizem que a loja 1 está madura pra gerar a loja 2:

  1. Lucro líquido consistente acima de 4% por 12 meses seguidos. Não picos, não média – 12 fechamentos seguidos.
  2. Pro-labore pago sem afetar o caixa operacional. Se a sua retirada mensal e paga do lucro e não do estoque, a loja sustenta você.
  3. Gerente ou encarregado que toca a loja sem o dono todo dia. Se você precisa estar na loja 1 pra ela funcionar, você não pode abrir a 2. Tenta e vai afundar as duas.

Com esses três sinais cumpridos, a expansão e financeiramente viavel. O próximo passo e escolher o ponto da loja 2 com o mesmo rigor do checklist da loja 1 – erro comum do segundo ponto e achar que “agora eu tenho escala” e relaxar no fluxo de pedestre.

Passo a passo: como abrir mercadinho independente em 9 etapas

Abrir um mercadinho independente do zero leva em média 4 a 8 meses entre a ideia e a inauguracao. O roteiro abaixo e o que o SEBRAE usa com empreendedores do setor.

  1. Pesquisa de mercado (30 dias). Visita 5 mercadinhos do raio de 2 km, anota mix, preço, horário de pico, quantidade de check-outs. Contagem de fluxo de pedestre em 3 pontos candidatos.
  2. Plano de negócio (30 dias). Projecao de faturamento, despesa, margem, ponto de equilibrio e retorno de investimento em 24 meses. Esse documento e o que o banco pede se for buscar crédito.
  3. Escolha do ponto (30 a 60 dias). Negociação de aluguel, clausula de reforma por conta do locatario, prazo de contrato de 5 anos com renovação.
  4. Abertura de CNPJ + enquadramento no Simples (15 a 30 dias). Contador especializado em varejo alimentar vale o investimento.
  5. Licenças (30 a 60 dias em paralelo). Alvara, Vigilancia Sanitária, Bombeiros. Comeca logo após a assinatura do contrato de ponto.
  6. Reforma e instalação (45 a 90 dias). Piso, pintura, eletrica, refrigeração, gôndola, PDV. Recebe equipamento somente com o ponto pronto.
  7. Negociação com fornecedores (30 dias). Abertura de conta com atacadista e distribuidores. Negocia prazo de 14 a 28 dias – mercadinho novo costuma abrir com prazo menor e ganha prazo conforme paga em dia.
  8. Contratação e treinamento (15 a 30 dias). Para mercadinho de 200 m2: 1 gerente, 2 caixas, 2 repositores, 1 açougueiro (se tem balcão). Treinamento de atendimento, exposição e PDV na semana anterior a abertura.
  9. Marketing de abertura (15 dias antes + 30 dias depois). Panfleto em 2 quadras do entorno, encarte de abertura com 20 itens em oferta, ativacao com balão e degustação no primeiro sábado, abertura oficial num sábado as 8h.

Dados do Portal do Comércio (CNC) mostram que negócios alimentares com plano escrito e capital de giro adequado tem taxa de sobrevivencia acima dos 70% no quinto ano – o dobro do índice dos que abrem sem planejamento.

Perguntas frequentes sobre mercadinho independente

Quanto custa abrir um mercadinho independente?

O capital inicial fica entre R$ 120 mil e R$ 350 mil para uma loja de 100 a 200 m2, dividido em investimento fixo (R$ 86 mil a R$ 262 mil em reforma, equipamento refrigerado, gôndola, PDV, fachada) e capital de giro (R$ 58 mil a R$ 138 mil em estoque inicial, reserva de 3 meses de operação e marketing de abertura). Subestimar o capital de giro e o erro mais comum.

Qual a margem média de um mercadinho independente?

A margem bruta média fica entre 18% e 24% sobre o faturamento. O lucro líquido saudável, após folha, aluguel, quebra e Simples, fica entre 3% e 6% do faturamento mensal. Mercearia seca tem a menor margem (8% a 14%), conveniência de caixa tem a maior (35% a 55%).

Quais licenças preciso para abrir um mercadinho?

Cinco documentos básicos: CNPJ com inscricao estadual, alvara de funcionamento municipal, licença sanitária da Vigilancia (seguindo RDC 216 e RDC 275 da ANVISA), Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e, dependendo do município, licença ambiental. O enquadramento tributario mais comum e o Anexo I do Simples Nacional.

Quantos produtos um mercadinho precisa ter?

Um mercadinho independente opera com 800 a 1.500 SKUs divididos em nove blocos: cesta básica, perecivel refrigerado, padaria e matinal, bebidas, hortifruti, carnes, congelados, limpeza/higiene e conveniência de caixa. Menos que 800 vira mercearia; mais que 1.500 exige o porte de supermercado de vizinhança.

Quanto um mercadinho independente fatura por mês?

Mercadinho de 100 a 200 m2 em bairro com bom fluxo fatura entre R$ 120 mil e R$ 280 mil por mês. Loja menor (80 a 100 m2) em bairro de classe C e D fica entre R$ 60 mil e R$ 120 mil. Supermercado de vizinhança (300 a 700 m2) ultrapassa R$ 400 mil. A variável mais forte e o fluxo de pedestre no ponto.

Qual o melhor ponto para abrir um mercadinho?

Esquina em rua com fluxo de pedestre acima de 40 pessoas por 15 minutos nos horários de pico, raio de 500 metros com densidade populacional alta, gerador de trafego próximo (escola, posto de saúde, padaria consolidada), acesso com vaga de estacionamento e aluguel dentro de 4% a 6% do faturamento projetado. Ponto barato em rua sem fluxo e o pior investimento possível.

Como divulgar um mercadinho independente?

Três canais resolvem 90% do marketing: WhatsApp com lista de transmissao de 300 a 800 clientes e máximo 3 envios por semana, encarte digital na sexta de manhã com 3 itens de cesta básica abaixo do mercado e 2 de margem alta com preço normal, e panfleto em dia de pagamento na quadra do entorno. Google Ads e Instagram patrocinado raramente compensam nesse porte.

Mercadinho independente precisa de açougue e padaria próprios?

Não precisa, mas diferencia. Açougue próprio exige licença sanitária adicional, açougueiro contratado e balcão refrigerado, mas eleva ticket médio em 15% a 25%. Padaria de produção própria exige forno, padeiro e investimento de R$ 40 mil a R$ 80 mil, mas puxa fluxo matinal forte. Em loja abaixo de 150 m2, vale comprar pão fresco de padaria vizinha e focar no mix de autosservico.

Quando e hora de abrir a segunda loja?

Três sinais objetivos: lucro líquido acima de 4% por 12 meses seguidos, pro-labore pago sem afetar o caixa operacional e gerente ou encarregado que toca a loja 1 sem o dono presente todo dia. Sem os três cumpridos, a segunda loja costuma afundar a primeira.