TL;DR: Um cartaz de promoção que vende tem hierarquia visual onde o preço ocupa 60% do espaço, fonte grande legível a 3 metros, no máximo 2 cores com contraste, e validade clara. Os 10 modelos mais usados no varejo independente são desconto %, leve-pague, combo, frete grátis, fim de estoque, sazonal, super-terça, relâmpago, shelf talker e vitrine.
Sexta, 16h. O cliente entra, olha a gôndola da manteiga em oferta e passa reto. O preço está certo, o desconto é real, mas o cartaz não grita. Está num papel A4 com preço do mesmo tamanho do nome do produto. A partir daqui, 10 modelos prontos de cartaz de promoção, 7 erros mortais e as ferramentas gratuitas pra imprimir hoje.
A anatomia de um cartaz de promoção que vende
Todo cartaz que converte no balcão tem a mesma hierarquia visual. Na ordem de leitura do cliente:
- Preço (60% do espaço, fonte maior)
- Produto (nome claro, 2ª maior fonte)
- Benefício ou gatilho (“economize R$ X”, “leve 3 pague 2”, “até domingo”)
- Prazo de validade da oferta (data fim ou “enquanto durar o estoque”)
- Marca da loja (pequena, no canto, só pra identificar)
A ordem não é estética, é comportamental. Pesquisa do POPAI Brasil mostra que 76% da decisão de compra acontece no PDV, e o cliente dedica menos de 3 segundos a cada cartaz. Se o preço não é a primeira coisa que ele vê, o cartaz falhou.
Se você ainda está em dúvida sobre o formato, vale passar antes pelos 6 tipos de cartaz para supermercado e escolher o que faz sentido pra sua gôndola.
10 modelos prontos de cartaz de promoção
Cada modelo abaixo já foi testado em balcão. Copie a estrutura, troque produto e preço.
1. Desconto percentual (clássico)
[PRODUTO] · [X%] OFF · DE R$ [Y] POR R$ [Z]
Exemplo: “Manteiga Aviação 200g · 30% OFF · de R$ 12,90 por R$ 8,99” Quando usar: produto de marca conhecida, em que o cliente sabe o preço normal.
2. Leve-pague
LEVE [N] · PAGUE [N-1]
Exemplo: “Leve 3, pague 2 · Sabonete Dove 90g” Quando usar: produto de alto giro, margem suficiente pra absorver 1 de graça.
3. Combo
[COMBO NOME] POR R$ [X]
Exemplo: “Combo Café da Manhã · Pão francês 10un + Leite 1L + Manteiga 200g · R$ 14,90” Quando usar: produto encalhado como âncora + 2 de alto giro.
4. Frete grátis (delivery próprio)
COMPRE ACIMA DE R$ [X] · FRETE GRÁTIS NO BAIRRO
Exemplo: “Acima de R$ 80, frete grátis até sua casa (bairros Centro, Vila Nova e Jardim)” Quando usar: quem tem motoboy ou entrega própria.
5. Fim de estoque
ÚLTIMAS UNIDADES · R$ [X]
Exemplo: “Últimas 18 unidades · Detergente Ypê 500ml · R$ 2,79” Quando usar: produto parado há mais de 30 dias ou perto de vencer.
6. Sazonal
[DATA/TEMA] · [PRODUTO] POR R$ [X]
Exemplo: “Dia das Mães · Caixa de bombom Garoto R$ 19,90” Quando usar: datas comemorativas, tematizando a gôndola inteira.
7. Super-terça (dia fixo)
SUPER TERÇA · [PRODUTO] A R$ [X] · SÓ HOJE
Exemplo: “Super Terça · Frango inteiro R$ 9,90/kg · só hoje” Quando usar: pra criar hábito de visita semanal.
8. Oferta-relâmpago
OFERTA-RELÂMPAGO · DAS [H] ÀS [H]
Exemplo: “Oferta-relâmpago · das 17h às 19h · Cerveja Skol lata R$ 2,99” Quando usar: horário de pico pra empurrar entrada de clientes.
9. Cartaz de gôndola (shelf talker)
[PRODUTO] · DE R$ [Y] POR R$ [Z]
Exemplo: “Arroz Tio João 5kg · de R$ 32,90 por R$ 27,90” Quando usar: próximo ao produto, A6 ou A5, sem distrair do preço.
10. Cartaz de vitrine (A2 ou maior)
[CHAMADA GRANDE] · [BENEFÍCIO] · [DATA FIM]
Exemplo: “TUDO DA AÇOUGUE COM 15% OFF · ATÉ DOMINGO” Quando usar: fachada ou entrada, pra puxar cliente da rua.
Se quer os textos completos com variações curtas e longas, o post dos 35 (agora 70) textos prontos para cartaz de oferta de supermercado tem cada tipo categorizado por gatilho psicológico.
Regras tipográficas que decidem a venda
Três regras fecham 80% dos acertos visuais. São as mesmas que a ABRE — Associação Brasileira de Embalagem aplica em embalagem de ponto de venda.
Fonte grande (o preço tem que ser lido a 3 metros)
- Cartaz A4 (21×29,7cm): preço em fonte 180pt+, produto em 80pt.
- Cartaz A3 (29,7x42cm): preço em 300pt+, produto em 120pt.
- Cartaz A2 vitrine: preço em 500pt+.
Regra prática: se você dá 3 passos pra trás no balcão e não consegue ler o preço, a fonte está pequena.
Espaço em branco (menos informação, mais venda)
Todo campo a mais compete com o preço. Tire: – “Aproveite já!” – “Imperdível” – “Confira” – Qualquer frase que não traga número ou benefício.
Cor com contraste (não combine, contraste)
- Fundo claro + letra escura = legibilidade máxima (branco + vermelho, amarelo + preto, branco + verde escuro).
- Evite vermelho sobre azul, azul sobre verde, amarelo sobre branco.
- Use no máximo 2 cores por cartaz + preto/branco.
Cartaz digital, impresso ou manuscrito: quando cada um funciona
Cartaz manuscrito (feito a mão)
- Custo: zero.
- Onde funciona: açougue, padaria, hortifruti, oferta do dia, relâmpago.
- Por quê: cria sensação de urgência e proximidade. Cliente lê “feito agora, pra você”.
- Quando evitar: preço de alto valor (acima de R$ 50), produto importado, vinho. Passa amadorismo.
Cartaz impresso (padrão da loja)
- Custo: R$ 0,15 a R$ 1,20 por unidade (impressora interna vs gráfica).
- Onde funciona: ofertas semanais, encarte de fim de semana, vitrine.
- Por quê: mantém padrão visual, reforça marca, dura mais.
- Quando evitar: oferta de menos de 24h — não compensa imprimir.
Cartaz digital (TV, tablet, totem)
- Custo: investimento inicial R$ 400 a R$ 2.500 (TV + mídia player).
- Onde funciona: checkout, entrada, corredor principal.
- Por quê: troca oferta em segundos, roda vídeo, não gasta papel.
- Quando evitar: se a loja não tem alguém pra atualizar. Cartaz digital errado é pior que nenhum.
4 ferramentas pra fazer seu cartaz hoje
- ds.marketing — plataforma de encarte e cartaz com templates prontos pra supermercado, padaria, açougue, farmácia e pet shop. Você escolhe o produto, ajusta o preço, troca a logo e exporta em A4, A3 ou vertical de WhatsApp em minutos. Plano inicial gratuito.
- PowerPoint / Google Slides — imprime em A4, formato paisagem, só trocar placeholder. Grátis.
- Piktochart — piktochart.com. Bom pra cartaz vertical, versão grátis roda com marca d’água.
- Papel + pincel atômico — o clássico do açougueiro. Zero custo, máxima urgência.
Se você já tem encarte e quer só adaptar pro cartaz de gôndola, os 37 exemplos de encarte de supermercado que vendem trazem os formatos que mais converteram em lojas reais.
Checklist de revisão pré-impressão
Antes de mandar pra impressora ou pro plotter do balcão, confere:
- [ ] O preço está correto (bateu com o sistema)?
- [ ] A validade da oferta tem data fim ou “enquanto durar o estoque”?
- [ ] Tem estoque reservado pra oferta (ninguém mais vende por outro preço)?
- [ ] O nome do produto confere com a embalagem (marca certa, peso certo)?
- [ ] A frase “sujeito a disponibilidade” está no canto inferior (obrigação do CDC, art. 30)?
- [ ] Foto do produto é do produto real (não imagem genérica que não existe na loja)?
- [ ] Se é promoção com desconto, o preço “de” é o praticado nos últimos 30 dias?
A última regra é legal — o Procon e a CNC — Confederação Nacional do Comércio orientam que preço “de” falso é propaganda enganosa (CDC art. 37). Vale multa e dano à reputação.
Um guia mais completo pro iniciante está em como fazer um cartaz de oferta fácil e rápido, com exemplos de cor, preço fracionado e impressão caseira.
7 erros mortais em cartaz de promoção
1. Preço menor que o nome do produto
O cliente lê o preço primeiro. Se “Manteiga Aviação” está em fonte 100 e “R$ 8,99” em fonte 40, o cartaz perdeu.
2. Informação excessiva
Cartaz com 6 frases + preço + foto + logo + data + endereço é ignorado. Um cartaz = uma oferta.
3. Cor sem contraste
Amarelo sobre branco, vermelho sobre rosa, azul sobre verde. Cliente passa reto.
4. Posição errada
Cartaz na altura do joelho ou acima da cabeça é invisível. Altura dos olhos (1,50m a 1,70m) converte.
5. Validade vencida
Cartaz de oferta do fim de semana ainda colado na terça. Cliente que já pagou preço cheio perde a confiança.
6. Erro de português
“Promoção” com dois S, “por que” no lugar de “porque”, preço “R$” sem espaço. Cada erro custa credibilidade.
7. Foto que não é do produto
Imagem de banco de imagens ou foto genérica de internet. Cliente chega na gôndola e vê outra embalagem — sente trapaça.
A lista completa com os 10 erros em cartazes de oferta que você deve evitar detalha os outros 3 erros que eu não cobri aqui — material, qualidade de impressão e manutenção.
Dúvidas frequentes sobre cartaz de promoção (FAQ)
Qual o tamanho ideal de um cartaz de promoção?
Depende da posição. Gôndola: A5 (15x21cm) ou A6. Corredor: A4 ou A3. Vitrine e fachada: A2 ou maior. Regra: preço legível a 3 metros.
Cartaz feito à mão funciona mesmo?
Sim, em açougue, padaria e hortifruti. Cria urgência e proximidade. Em loja de eletro ou produto acima de R$ 50, prefira impresso.
Quanto custa imprimir cartaz em casa?
Impressora jato de tinta: R$ 0,80 a R$ 1,20 por folha A4 colorida. Impressora laser: R$ 0,15 a R$ 0,40. Gráfica digital: R$ 2 a R$ 5 por A3.
Qual cor de cartaz vende mais?
Amarelo com preto (maior contraste, usado em liquidação). Vermelho com branco (urgência). Verde com branco (preço baixo, frescor). Evite azul — passa corporativo, não oferta.
Posso usar o mesmo cartaz em toda a loja?
Não. Vitrine pede mensagem grande e curta (“TUDO COM 15% OFF”). Gôndola pede preço específico. Checkout pede impulso (“Pilha AA · R$ 4,90”). Adapte.
Quantos dias antes da oferta imprimir o cartaz?
24 a 48h antes. Tempo pra revisar preço, checar estoque e colar na altura certa. Nunca cole no mesmo dia com pressa.
Preciso colocar “sujeito a disponibilidade” no cartaz?
Sim, no rodapé em fonte pequena. O [SEBRAE](https://sebrae.com.br/) recomenda essa prática pra evitar conflito com o cliente e se adequar ao CDC.