TL;DR: Encarte de ofertas bem feito sai em 9 passos e cabe em 2 horas de trabalho do dono. Começa no objetivo (atrair cliente, subir ticket ou girar estoque), passa por produto-âncora, preço-chamariz, hierarquia visual, texto, ferramenta, revisão, distribuição e termina na medição por cupom. O erro mais caro não é no layout — é pular o passo 1 e montar encarte sem saber pra que serve.

Por que a maioria dos encartes não vende
Sábado, 8h. O encarte tá na vitrine, saiu no WhatsApp da lista da loja, tem 32 produtos. Às 11h a loja tá cheia — mas o ticket médio é igual ao sábado passado. O dono abre o relatório do PDV e percebe: dos 32 itens do encarte, 24 quase não saíram, 6 foram vendidos uma vez cada e 2 sumiram do estoque.
O problema não foi o layout. Foi ter saído encarte sem objetivo, com produto-âncora errado, sem preço-chamariz real e sem medição. É o padrão da maioria dos encartes que circulam no bairro brasileiro — bonitos, bem impressos e sem retorno mensurável.
Encarte que vende não é decisão de design, é decisão de gestão. A parte visual entra no passo 4 de 9. Antes dela, o dono precisa responder três perguntas: pra que serve esse encarte, quem é o cliente que ele tá tentando puxar e qual número vai subir por causa dele. Esse post te leva do objetivo até a medição, com tempo estimado, erro comum e dica prática em cada passo. Se quiser ver como ficam bons encartes prontos antes de montar o seu, vale passar em 37 exemplos de encarte de supermercado.
Antes de começar: o que você precisa ter na mesa
Três coisas que economizam 90 minutos de refação depois:
- Relatório de giro dos últimos 30 dias do PDV (ranking de produtos por volume de venda e margem).
- Lista de verba de fornecedor do mês (quem topou entrar com desconto, bonificação ou material de campanha).
- Preço dos 3 concorrentes mais próximos nos 10 itens mais sensíveis (arroz, feijão, óleo, leite, café, frango, carne moída, sabão em pó, amaciante, papel higiênico) — feito essa semana, não mês passado.
Com esses três dados na mesa, os 9 passos abaixo rodam em 2 horas. Sem eles, o dono sai montando encarte no feeling e cai nos erros que esse mesmo post ensina a evitar.
Passo 1. Definir o objetivo do encarte (10 min)
Todo encarte precisa ter um e somente um objetivo primário. Três objetivos válidos pra supermercado independente:
- Aquisição — puxar cliente novo pra dentro da loja (quem passa na porta mas nunca entrou). KPI: número de cupons novos na semana.
- Ticket médio — fazer quem já entra comprar mais. KPI: valor médio por cupom e itens por cupom.
- Giro de estoque — tirar do depósito o que parou. KPI: sell-through dos SKUs do encarte em 7 dias.
Encarte de aquisição tem preço agressivo em item de alto reconhecimento (arroz, óleo, frango). Encarte de ticket tem combo, receita e produto complementar. Encarte de giro tem o item parado no centro com preço fechado e quantidade limitada.
Erro comum: tentar os três ao mesmo tempo. O encarte vira tabloide confuso e não move nenhum KPI de verdade.
Dica prática: escreve o objetivo em uma frase no topo de um papel: “Esse encarte é pra puxar cliente novo do bairro X pelo preço do arroz 5kg”. Se qualquer decisão futura entrar em conflito com essa frase, a frase ganha.
Passo 2. Escolher os produtos-âncora (20 min)
Âncora é o produto que faz o cliente olhar o encarte. Encarte bem feito tem 5 a 10 âncoras — o restante é complemento.
Critérios pra virar âncora:
- Reconhecível. O cliente sabe o preço de cabeça (arroz 5kg, óleo de soja 900ml, frango inteiro, leite UHT, cerveja em lata, detergente, papel higiênico fardo).
- Giro alto. Tá entre os 50 mais vendidos da loja nos últimos 30 dias.
- Margem suficiente pra aguentar desconto. Se o item tem margem de 3%, ele não vira âncora — vira dor de cabeça.
- Estoque garantido pra 7 dias. Sem estoque reservado, o cliente chega na loja, não acha e sai com marca queimada.
Erro comum: colocar como âncora o produto que o fornecedor quer empurrar (bebida nova, marca B, item fora de linha). O fornecedor paga a campanha, mas o cliente não reconhece — e o encarte morre.
Dica prática: o item mais bem escolhido de âncora em supermercado independente nos últimos 2 anos, segundo dado agregado do SuperHiper/ABRAS, continua sendo arroz 5kg. Se você não tem fornecedor bancando arroz no chamariz do mês, negocia com outro — sem arroz na capa, encarte de aquisição fica manco.
Passo 3. Definir o preço-chamariz (15 min)
Chamariz é a cereja: o preço que o cliente vê e fala “esse aqui tá mais barato que na rede”. Sem chamariz, o encarte é catálogo.
Regra simples: o chamariz precisa estar entre 15% e 25% abaixo do preço médio dos três concorrentes mais próximos. Menos que 15%, o cliente não percebe. Mais que 25%, vira risco de margem e o fornecedor costuma travar.
Três travas obrigatórias pra não queimar a loja:
- Limite por cliente (tipo “máximo 2 unidades por cupom”). Protege de revendedor e do vizinho que leva o estoque inteiro.
- Duração curta (3 a 7 dias no máximo pro chamariz). Dá urgência e protege margem mensal.
- Margem mínima absoluta definida antes (“não baixo de R$ X,XX mesmo com verba”). Escreve esse número no papel.
Erro comum: deixar o chamariz sem duração clara. O cliente procrastina, entra na terça achando que ainda tem, não tem, sai com marca queimada. “Só de sexta a domingo” converte mais que “enquanto durar o estoque”.
Dica prática: a cartilha de precificação no varejo do SEBRAE sugere nunca colocar chamariz em mais de 10% dos itens do encarte. Em encarte de 30 produtos, 3 chamariz é o limite saudável.
Passo 4. Montar a hierarquia visual (20 min)
Só agora entra design. Hierarquia visual tem 5 decisões fixas que, juntas, resolvem 80% do layout:
- Preço em destaque 3 vezes maior que o nome do produto. Em encarte, cliente lê preço primeiro, nome depois.
- Foto real do produto. Foto genérica de banco de imagem converte 40% menos que foto do item que tá na prateleira da loja.
- Cor de chamada pro chamariz. Vermelho com branco funciona melhor no feed do Instagram; amarelo com preto funciona bem em cartaz de gôndola na própria loja.
- Fonte sem serifa nos preços (Arial Black, Impact, Montserrat Bold). Legibilidade em 3 metros.
- Produto-âncora na capa, chamariz em destaque, complementares em grade. Nada de misturar tudo num bolo só.
Erro comum: escolher a fonte bonitinha da moda (cursiva, serifada, fina). No encarte, fonte bonita perde pra fonte legível — a cliente lê o preço com o carrinho andando.
Dica prática: antes de abrir qualquer editor, desenha o rascunho em papel A4 dividido em 8 retângulos. Coloca âncora no canto superior esquerdo (primeiro ponto de leitura), chamariz no centro e complementares nos 6 espaços restantes. Fica pronto em 3 minutos e economiza 1 hora de ajuste digital.
Passo 5. Escrever o texto de cada oferta (15 min)
Cada oferta tem 4 elementos textuais, sempre na mesma ordem:
- Título (nome do produto + marca + quantidade): “Arroz Tipo 1 Marca Y 5kg”.
- Preço (destaque visual): “R$ 19,90”.
- Benefício ou gancho (opcional, mas converte muito em âncora): “rende 50 pratos”, “pra família de 4”, “dura a semana”.
- Prazo: “de sexta a domingo” ou “só nesta quarta, até as 22h”.
Erro comum: escrever “preço promocional”, “oferta imperdível”, “preço baixo” — palavras genéricas que não comunicam nada. O cliente quer o número, não o adjetivo.
Dica prática: tem um banco inteiro de frases prontas que funcionam em cartaz e no feed em 70 textos prontos para cartaz de oferta. Pega 3, adapta pros seus preços e tá pronto.
Passo 6. Escolher a ferramenta certa (variável)
Dois caminhos, cada um com trade-off claro:
- Plataforma de encarte dedicada ao varejo independente (ds.marketing): templates prontos de encarte por segmento (supermercado, padaria, açougue, farmácia, pet, construção), integra com ERP, puxa preço direto da sua tabela, troca produto com 1 clique, exporta em A4, A3, vertical 1080×1920 pro WhatsApp e quadrado 1080×1080 pro feed do Instagram. Plano inicial gratuito.
- Designer freelancer (R$ 80 a R$ 250 por encarte): pra campanha grande (Natal, Black Friday, aniversário da loja). Não compensa no encarte semanal.
Erro comum: começar pelo designer freelancer no encarte semanal. O custo fixo de R$ 300/mês come a margem do chamariz — e o dono vira refém da disponibilidade do freela.
Dica prática: entra na ds.marketing no plano grátis e roda 4 a 6 encartes reais antes de comprar qualquer upgrade. A partir do oitavo encarte você sabe exatamente o que sua loja precisa e aí avalia integração com ERP com olho treinado.
Passo 7. Revisar antes de publicar (10 min)
Lista de 7 itens — qualquer um reprovado, volta pro passo anterior:
- Ortografia em todos os nomes de produto (esse é o mais queimado).
- Preço bate com a etiqueta de prateleira e com o PDV.
- Quantidade/peso bate com a embalagem real (pacote de 5kg vs 5,1kg é problema de fiscalização).
- Estoque reservado pros dias do encarte (mínimo 7 dias de cobertura pro chamariz).
- Prazo de validade do encarte bem visível no material (cliente precisa ver a data).
- Endereço, telefone e CNPJ da loja corretos (Procon pega rápido).
- Indicador de pagamento (“à vista no Pix” vs “no cartão em até 3x” muda o preço cheio).
Erro comum: publicar com erro de centavo (R$ 4,90 no encarte, R$ 5,90 na prateleira). O cliente passa pelo caixa com o encarte na mão — e o Procon lê isso como propaganda enganosa.
Dica prática: quem revisa não é quem escreveu. Passa pro operador de caixa ou pra outra pessoa com 10 minutos na mesa. Olho novo pega o que o seu já passou 3 vezes sem ver.
Passo 8. Distribuir nos canais certos (20 min)
Encarte vive em 4 canais — não todos, mas sempre mais de 1:
- Impresso na entrada da loja (40x60cm): pega quem passa na porta. Custo: R$ 5 por folha em gráfica rápida.
- WhatsApp em lista da loja (lista de transmissão ou grupo de clientes): manda na quinta à noite se o encarte começa sexta. Pega 30% a 50% dos contatos.
- Feed do Instagram: posta no feed 1 dia antes com legenda curta e CTA pro WhatsApp ou pra visita na loja.
- Stories do Instagram: 3 stories — abertura, chamariz, prazo. Repete no dia seguinte de manhã.
Distribuição em rua com panfleto impresso raramente compensa fora de campanha grande (inauguração, aniversário, Natal). O custo por folha + distribuidor derrete a margem no encarte semanal, enquanto o mesmo investimento em WhatsApp + Instagram alcança muito mais gente do bairro.
Erro comum: mandar no WhatsApp às 9h da manhã de terça — o cliente tá trabalhando, abre 4 horas depois, esquece. Quinta 19h–21h e sexta 7h–9h são os horários de maior taxa de clique pra oferta de supermercado em lista, segundo dado agregado do ABComm pra varejo alimentar regional.
Dica prática: a primeira imagem que o cliente vê no WhatsApp é quadrada (tela de notificação). Corta o encarte em versão quadrada pro canal de mensagem — deixa o retangular pro feed e stories.
Passo 9. Medir o resultado por cupom (10 min/dia)
Encarte sem medição é esperança. Quatro números que você precisa tirar no final de cada campanha:
- Cupons com pelo menos 1 item do encarte ÷ cupons totais. Mostra a penetração do encarte na loja.
- Sell-through de cada SKU do encarte (unidades vendidas ÷ estoque reservado). Fica abaixo de 50% = chamariz não funcionou.
- Ticket médio dos cupons com encarte vs sem encarte. Se for igual, o encarte serviu pra dar desconto, não pra subir venda.
- Itens por cupom dos cupons com encarte. Em objetivo de ticket médio, esse é o número que tem que subir.
Erro comum: medir só o faturamento da semana. Faturamento sobe porque cliente veio pelo chamariz, mas se o ticket caiu e a margem derreteu, o encarte custou dinheiro mesmo com fila no caixa.
Dica prática: faz uma planilha simples (Excel ou Sheets) com 4 colunas — data do encarte, cupons com encarte %, ticket médio com vs sem, sell-through médio. Depois de 8 encartes, você vê padrão claro: qual dia da semana, qual categoria-âncora e qual chamariz funcionam melhor na sua loja. Pra quem não medir nunca, esse é o ponto de virada — ter dado interno é melhor que copiar template do concorrente.
Erros que matam o encarte mesmo com layout bonito
Cinco erros que aparecem em 8 de cada 10 encartes — checagem rápida antes de publicar:
- Encarte sem objetivo escrito. Se o dono não consegue dizer em uma frase pra que serve, vira tabloide aleatório.
- Âncora errada. Item que o cliente não reconhece não puxa fluxo — não importa o desconto.
- Chamariz tímido. Desconto abaixo de 15% passa despercebido. Não entra no radar do cliente.
- Sem prazo claro. “Enquanto durar o estoque” é o mesmo que dizer “você pode vir semana que vem”. O cliente vem — no concorrente.
- Zero medição. Sem número, o dono repete os erros por 2 anos achando que o problema é “o mês tá fraco”.
Se você quer só o banco de frases pro cartaz de prateleira, o post de cartaz de promoção e ofertas entrega o passo a passo específico do material de ponto de venda. Se quer o calendário anual de encartes temáticos, pega o encarte temático com 22 temas do ano.
Responda no WhatsApp da loja: qual foi o último encarte que você mediu cupom a cupom? Se nunca mediu, o próximo é o certo pra começar — roda os 9 passos acima e anota os 4 números do passo 9.
Perguntas frequentes
Como fazer um encarte de ofertas do zero?
Em 9 passos: (1) define o objetivo (aquisição, ticket médio ou giro de estoque), (2) escolhe 5 a 10 produtos-âncora, (3) define o preço-chamariz 15% a 25% abaixo dos três concorrentes mais próximos, (4) monta a hierarquia visual com preço em destaque 3 vezes maior que o nome, (5) escreve título, preço, benefício e prazo de cada oferta, (6) escolhe a ferramenta (plataforma de encarte como a ds.marketing ou designer freelancer em campanhas grandes), (7) revisa ortografia, preço e estoque, (8) distribui em impresso, WhatsApp, feed e stories, (9) mede o resultado por cupom. O conjunto cabe em 2 horas quando o dono tem relatório de giro, verba de fornecedor e preço da concorrência na mesa.
Quanto tempo leva pra montar um encarte de supermercado?
Entre 2 e 3 horas pra quem tem os dados prévios (giro, verba e preço da concorrência) organizados. Se o dono ainda vai levantar informação, sobe pra 5 ou 6 horas no primeiro encarte e cai pra 2 horas a partir do terceiro, quando o roteiro vira rotina da semana.
Quantos produtos o encarte de ofertas deve ter?
Entre 20 e 40 produtos pra supermercado independente. Menos de 20 parece cartaz de um item só e não sustenta a visita. Mais de 40 perde hierarquia e vira tabloide de rede grande. Dentro desse total, 5 a 10 são âncoras (itens reconhecíveis com preço agressivo), 2 a 4 são chamariz (desconto profundo com limite por cliente) e o restante é complemento de giro e margem.
Qual a melhor ferramenta pra fazer encarte de ofertas?
Pra 1 loja com 1 encarte por semana, a ds.marketing resolve no plano gratuito com templates setoriais prontos. A partir de 2 lojas ou 4 encartes por mês, vale integrar a plataforma direto com o seu ERP, porque ela puxa preço da tabela e troca produto com 1 clique. Designer freelancer só vale a pena em campanhas grandes (Natal, Black Friday, aniversário da loja), não no encarte semanal.
Como escolher o produto-âncora do encarte?
O âncora atende quatro critérios: é reconhecível pelo cliente (arroz, óleo, frango, leite, cerveja, detergente), tem giro alto nos últimos 30 dias, tem margem pra sustentar desconto sem virar prejuízo e tem estoque reservado pra 7 dias de campanha. Produto que o fornecedor quer empurrar (marca nova, item fora de linha) raramente vira bom âncora — o cliente não reconhece e o encarte não converte.
Qual o desconto ideal no preço-chamariz?
Entre 15% e 25% abaixo do preço médio dos três concorrentes mais próximos. Menos de 15%, o cliente não percebe diferença. Mais de 25%, a margem derrete e o fornecedor costuma travar. O chamariz precisa ter limite por cliente (máximo 2 ou 3 unidades por cupom) e duração curta (3 a 7 dias) pra não virar dreno de caixa.
Onde distribuir o encarte de supermercado?
Em supermercado independente, a combinação mais eficiente é cartaz de 40x60cm na entrada da loja + lista de transmissão no WhatsApp na quinta à noite (se o encarte começa na sexta) + post no feed do Instagram no dia anterior + 3 stories ao longo da campanha (abertura, chamariz, prazo final) + post no Google Meu Negócio.
Como medir se o encarte de ofertas deu resultado?
Quatro indicadores por campanha: porcentagem de cupons com pelo menos 1 item do encarte no total da semana, sell-through de cada SKU do encarte (unidades vendidas sobre estoque reservado), diferença de ticket médio entre cupons com encarte e cupons sem encarte, e itens por cupom nos cupons com encarte. Sell-through abaixo de 50% indica chamariz fraco. Ticket médio igual ou menor indica que o encarte virou desconto puro e não puxou venda adicional.
Encarte digital no WhatsApp substitui o impresso na loja?
Não. O digital pega quem já é cliente e tá na lista, mas não puxa o pedestre que passa na calçada e nunca entrou. O cartaz de 40x60cm na entrada da loja continua sendo o canal mais barato (R$ 5 a folha em gráfica rápida) pra converter visita casual em cupom. A combinação de digital (pra recorrente) e impresso na vitrine (pra aquisição) é o padrão que funciona em supermercado independente brasileiro.
Quantos encartes um supermercado independente deve fazer por mês?
Entre 2 e 4 por mês funciona bem: 1 encarte semanal curto (chamariz de 3 dias pra aquisição) e 1 encarte quinzenal maior (campanha temática de 7 a 14 dias pra ticket médio). Mais que isso queima a lista de WhatsApp, gasta verba de fornecedor sem retorno e cansa o cliente. Menos que isso deixa a loja silenciosa na memória do bairro.