TL;DR: A etiqueta de gôndola no supermercado é obrigatória por lei federal (Lei 10.962/2004) é precisa trazer preço à vista claro, legível, correto é válido. Você tem quatro formatos principais (papel comum, PVC adesivo, tag colorida promocional e etiqueta eletrônica / ESL) e a escolha depende do número de SKUs, frequência de troca de preço e orçamento. Para loja independente, o combo que mais rende e papel + tag colorida no de/por, com ESL só em seção de alta rotatividade de preço.

O que a lei exige da etiqueta de gôndola
Etiqueta de gôndola não é item de decoração — e obrigação legal prevista na Lei Federal 10.962/2004, que regula a afixação de preços no comércio brasileiro. A lei e curta e direta: todo produto exposto a venda no supermercado tem que ter preço à vista, em caractere legível, sem ambiguidade, sem abreviação que confunda e com a mesma unidade de medida do produto.
Quinta-feira, 14h. Um fiscal do Procon entra na loja, escolhe três SKUs na gôndola de enlatados e confere: o extrato de tomate 340g tem etiqueta de R$ 3,29 e passa no caixa por R$ 3,49. O auto sai na hora. A multa por descumprimento da lei, segundo o próprio Ministério da Justica via Senacon, vai de advertência até valores que passam de R$ 13 mil por infração, calculados conforme porte da loja e reincidência. Em supermercado independente, um auto só comeu a margem do mês.
A lei foi complementada pelo Decreto 5.903/2006, que detalhou o padrão: a etiqueta tem que ter o preço à vista do produto (o valor final que o cliente paga, já com impostos), o nome do produto é a unidade de medida (kg, L, unidade, pacote). Quando o produto é vendido a granel ou em embalagem que não é padronizada, entra também a exigência de preço por unidade de medida — os famosos R$/kg, R$/L, R$/100g. Essa regra é fiscalizada pelo Inmetro, que acompanha a metrologia legal no varejo.
Informação obrigatória em toda etiqueta de preço
A etiqueta de gôndola mínima — aquela que não toma multa nem confunde cliente — carrega seis informações, sempre na mesma ordem de leitura. Falhar em qualquer uma das três primeiras e risco legal direto.
- Preço à vista em reais (R$ X,XX), em fonte maior que tudo o resto.
- Nome do produto exatamente como está na embalagem (marca + descrição + variante).
- Unidade de medida (kg, L, g, ml, un, pct) coerente com a embalagem.
- Preço por unidade de medida (R$/kg ou R$/L) — obrigatório em produto a granel e muito recomendado em item embalado para facilitar comparação.
- Código interno do produto (PLU, código de gôndola) — não é exigência legal, mas é o que liga etiqueta ao cadastro do PDV e evita divergência com o caixa.
- Data de afixação ou validade da oferta — obrigatória em promoção com prazo, recomendada sempre para trilha de auditoria.
Em produto de oferta (o famoso de/por), a Lei 10.962 é o Decreto 5.903 pedem que o preço original apareca riscado ou marcado de forma inequivoca, e o preço promocional em destaque. Não pode ter letra miuda dizendo “condição válida só com 2 unidades” escondida no canto — se tem condição, ela entra na etiqueta com a mesma legibilidade do preço.
4 tipos de etiqueta de gôndola (quando usar cada uma)
No supermercado independente, quatro formatos de etiqueta cobrem 100% das necessidades. Cada um tem custo, durabilidade e caso de uso diferente — a maioria das lojas acerta usando dois ou três combinados.
1. Etiqueta de papel comum (trilho de gôndola)
E a etiqueta padrão: papel branco impresso em impressora matricial ou térmica, cortado no tamanho do trilho de gôndola (tipicamente 39 mm x 75 mm ou 39 mm x 90 mm). Baixo custo (centavos por unidade), rápida de trocar, aceita qualquer layout.
- Custo: R$ 0,02 a R$ 0,05 por unidade (papel + toner).
- Durabilidade: 30 a 90 dias em ambiente seco. Mancha com água.
- Quando usar: base da loja inteira. Todo SKU tem que ter pelo menos o papel no trilho.
- Cuidado: em seção úmida (hortifruti, congelados) empena rápido. Troca semanal obrigatória.
2. Etiqueta de PVC adesivo ou acrílico
Usada em seção de alta umidade ou quando a etiqueta precisa aguentar meses. Normalmente é um bolsao de PVC ou acrílico fixado no trilho, dentro do qual você troca o papel impresso. O bolsao protege da água e da gordura e permite troca rápida sem refazer adesivo.
- Custo: R$ 0,30 a R$ 1,50 por bolsao (uso de anos).
- Durabilidade: 2 a 5 anos.
- Quando usar: congelados, frios, açougue (balcão frio), peixaria, área de fluxo forte de limpeza.
3. Tag colorida promocional (de/por, oferta do dia)
Cartão colorido em amarelo, vermelho ou laranja, tamanho maior que a etiqueta de trilho, usado em cima ou ao lado do SKU em oferta. Não substitui a etiqueta legal — complementa. Segundo pesquisas do POPAI Brasil, a decisão de compra por impulso no PDV passa de 70% em itens sinalizados com cor contrastante e mensagem de economia clara.
- Custo: R$ 0,05 a R$ 0,20 por tag.
- Durabilidade: dura o tempo da oferta (3 a 15 dias).
- Quando usar: de/por, leve 3 pague 2, oferta da semana, produto em liquidação. E o que converte — a etiqueta de trilho cumpre a lei, a tag colorida vende. Os mesmos princípios valem para o encarte de ofertas impresso.
4. Etiqueta eletrônica (ESL — Electronic Shelf Label)
Display de papel eletrônico (e-ink) ou LCD, fixado no trilho, que recebe o preço via radiofrequência a partir do sistema central. Troca de preço em lote, em segundos, sem ninguém passar pela gôndola. E o padrão em rede grande ha 10 anos; em supermercado independente, ainda é exceção, mas está caindo de preço rápido.
- Custo: R$ 25 a R$ 80 por etiqueta + investimento em infraestrutura (gateway, software). Loja com 4 mil SKUs parte de R$ 100 mil.
- Durabilidade: 5 a 7 anos por bateria interna.
- Quando usar: veja o bloco próximo.

Etiqueta eletrônica (ESL) vs tradicional: quando vale investir
A conta da ESL não fecha para todo supermercado. A pergunta certa não é “ESL é melhor?”, e sim “quantas trocas de preço por semana eu faco?”. Quando a resposta passa de 300 trocas, o custo da mão de obra que passa pela gôndola trocando papel supera o custo da tecnologia em 24 a 36 meses.
Sinais de que a ESL compensa
- Mais de 4.000 SKUs e troca semanal em mais de 10% do mix (400+ trocas).
- Oferta dinâmica (preço muda dentro do dia, ex.: happy hour, fim de feira).
- Frequência alta de divergência etiqueta x caixa (gerando autos do Procon ou atrito em check-out).
- Mais de uma loja na mesma bandeira — ESL uniformiza preço em segundos entre unidades.
Sinais de que papel + bolsao PVC ainda é a escolha certa
- Loja de até 3.000 SKUs.
- Troca de preço concentrada no dia do encarte (uma vez por semana).
- Cliente valoriza cartaz manuscrito, tag colorida, “cara” — o papel comunica oferta melhor que tela eletrônica em público mais velho.
- Orçamento de CapEx apertado — o investimento em ESL não paga em menos de 24 meses.
Em rede com 3 a 5 lojas e mais de 5 mil SKUs, uma solução intermediária tem aparecido: ESL só em seções de preço volatil (hortifruti, açougue, peixaria, bebidas) e papel no resto da loja. Cobre o custo operacional onde ele é alto e preserva CapEx.
Diagramação que vende: hierarquia, de/por, destaque
Etiqueta que cumpre a lei e etiqueta que vende não são a mesma coisa. A primeira e obrigação; a segunda é o que faz o cliente esticar a mão. Estudos do ABRE sobre embalagem e comunicação no PDV mostram que a decisão de pegar o produto da gôndola acontece em 3 a 7 segundos — e dentro desse intervalo o cliente le, no máximo, três elementos da etiqueta.
A hierarquia de 3 camadas
A etiqueta eficaz tem três camadas visuais claras, lidas em ordem:
- Preço à vista — maior elemento, fonte grossa (bold extra), contraste alto (preto em fundo amarelo ou branco em fundo vermelho). Ocupa 40 a 50% da área da etiqueta.
- Nome do produto — segundo elemento em tamanho, logo acima ou abaixo do preço. Caixa alta só na marca; descrição em mista para leitura rápida.
- Preço por unidade e código — menor, mas legível a 1 metro de distância. Fica no rodape da etiqueta.
O de/por que converte
Em oferta, a regra é simples: o preço novo tem que ser 2 a 3 vezes maior que o preço antigo, visualmente. Tamanho de fonte, peso e cor. O preço antigo vai riscado, em cinza ou em fonte fina, nunca apagado.
- Fonte do preço novo: 2x a altura do preço antigo.
- Cor do fundo da tag de oferta: amarelo (alerta visual mais rápido segundo estudos do POPAI) ou vermelho (urgência).
- Mensagem complementar em no máximo 4 palavras: “Leve 3 pague 2”, “Hoje só”, “Até domingo”.
- Economia em destaque (opcional, mas vende): “Economize R$ 3,20”.
A mesma lógica de hierarquia que vale para a etiqueta de trilho vale para o cartaz A4 de oferta. Se você sinaliza o encarte e erra o trilho, o cliente chega até a gôndola e desiste. Vale revisar o checklist de erros em cartazes de oferta porque boa parte se repete na etiqueta.
O que não pode estar na etiqueta
- Letra miuda com condição essencial (“só com cartão da loja” em 4pt).
- Preço antigo ficticio — oferta sem preço original real e propaganda enganosa, punível pelo CDC.
- Abreviação que o público não reconhece (“un.” em loja independente com público idoso funciona; “cx. mast. 24x.” não).
Erros que geram multa do Procon
A fiscalização de preço no supermercado é uma das mais recorrentes em Procons municipais. Os cinco erros abaixo respondem pela maioria dos autos:
- Divergência entre etiqueta e caixa. Se a etiqueta diz R$ 3,29 e o sistema cobra R$ 3,49, o CDC (art. 30) manda cumprir o preço exposto. Não é dica — e obrigação. O auto do Procon é certo.
- Ausência de etiqueta em produto na gôndola. Todo SKU exposto tem que ter preço visível. A regra é explícita na Lei 10.962.
- Etiqueta de outro produto no lugar. Muito comum no hortifruti e no açougue — a etiqueta de alho fica no escaninho da cebola. Para o fiscal e para o cliente é a mesma coisa: propaganda enganosa.
- Promoção sem data de validade clara. “Oferta válida enquanto durarem os estoques” sem nenhuma data cai como vicio de clareza. O Decreto 5.903 pede data.
- Unidade de medida errada. Etiqueta em R$/kg em produto vendido por pacote de 500g, sem o preço do pacote. Para o Inmetro é motivo de auto.
Materiais de orientação do SEBRAE e da ABRAS sobre boas práticas de precificação recomendam auditoria mensal de no mínimo 10% do mix para reduzir esse tipo de exposição.

Rotina de atualização: diária, semanal, mensal
Etiqueta não se resolve com ação única — resolve com rotina. A falha mais comum não é no layout; e no calendário de manutenção. Abaixo, o ciclo que funciona em loja independente.
Diário (15 minutos antes de abrir)
- Repositor faz walking-check nas seções de alta rotatividade (hortifruti, açougue, padaria, bebidas) conferindo se toda gôndola abastecida tem etiqueta e se o código bate.
- Qualquer SKU sem etiqueta recebe etiqueta manuscrita emergencial (caneta grossa, fundo amarelo) até o papel oficial sair da impressora.
- Checagem de ofertas do dia — se a oferta acabou, tag colorida sai junto.
Semanal (dia de encarte novo)
- Troca em lote de todas as etiquetas dos SKUs do encarte da semana seguinte.
- Alinhamento com o cadastro do PDV — relatório de divergência preço etiqueta x preço sistema.
- Auditoria amostral de 50 a 100 SKUs aleatorios para conferir conformidade com a Lei 10.962. Se passar de 5% de divergência, a auditoria virá completa.
- Reposição de etiquetas danificadas (umidade, rasgadas) em seções frias.
Mensal (planejamento)
- Revisao do mix inteiro: SKU novo que entrou no mês, SKU descontinuado que saiu.
- Revisao de layout de etiqueta — fonte, tamanho, código, unidade de medida.
- Registro de quantos autos ou reclamações de preço chegaram no mês. Meta saudável: zero autos, menos de 3 reclamações em loja de porte médio.
Etiqueta sem rotina virá erro de supermercado que prejudica o faturamento — não pelo custo do papel, mas pela perda de confianca do cliente que pega na gôndola a R$ 3,29 e paga R$ 3,49 no caixa.
Ver passo a passo do encarte de ofertas (que puxa a etiqueta)
Perguntas frequentes sobre etiquetas para gôndola
Etiqueta de gôndola é obrigatória por lei?
Sim. A Lei Federal 10.962/2004, regulamentada pelo Decreto 5.903/2006, exige que todo produto exposto a venda tenha preço à vista em local visível, com caractere legível e sem ambiguidade. Loja que não cumpre responde a auto do Procon e pode ter multa até a dezenas de milhares de reais dependendo do porte e da reincidência.
Quais informações a etiqueta precisa ter?
Preço à vista em reais, nome do produto como está na embalagem, unidade de medida coerente, e em produto a granel ou embalagem não padronizada também o preço por unidade de medida (R$/kg ou R$/L). Código interno e data de afixação não são exigências legais, mas são recomendados para auditoria e conciliação com o PDV.
Quanto custa colocar etiqueta eletrônica (ESL) em supermercado?
O investimento parte de R$ 25 a R$ 80 por etiqueta, mais infraestrutura (gateway de radio, software de gestão, integração com o ERP). Loja com 4 mil SKUs investe a partir de R$ 100 mil no projeto completo. O retorno vem da redução de mão de obra em trocas de preço e da queda de autos por divergência.
Em loja independente vale a pena trocar papel por ESL?
Na maioria dos casos ainda não. A ESL compensa quando a loja faz mais de 300 trocas de preço por semana ou tem mais de uma unidade na bandeira. Em loja única com até 3 mil SKUs e troca semanal concentrada no encarte, o combo papel comum no trilho + bolsao de PVC em seção úmida + tag colorida na oferta entrega o mesmo resultado operacional com investimento muito menor.
O que acontece se o preço da etiqueta for diferente do caixa?
O Código de Defesa do Consumidor (art. 30) obriga a loja a vender pelo preço exposto, mesmo que seja menor que o do sistema. Além disso, o cliente pode registrar reclamação no Procon. Auditoria semanal de pelo menos 50 SKUs aleatorios reduz esse risco a quase zero.
Qual a melhor cor para etiqueta de oferta?
Amarelo com texto preto é a combinação com maior velocidade de leitura no PDV segundo estudos do POPAI. Vermelho comunica urgência mas cansa o olho em grande volume — funciona melhor em oferta relampago de 1 a 3 dias. Verde e azul perdem atenção no supermercado e só devem ser usados em etiquetas de linha saudável ou orgânica.
A etiqueta precisa ter data de validade da oferta?
Sim, quando a oferta tem prazo. O Decreto 5.903/2006 pede clareza sobre condições de oferta, e data é a informação mais básica de clareza. “Oferta válida enquanto durarem os estoques” sozinha não cumpre — tem que ter data limite ou condição quantitativa objetiva (“somente 50 unidades por loja”).
Como evitar que a etiqueta do hortifruti empene com umidade?
Use bolsao de PVC ou acrílico no trilho e troque o papel interno toda segunda-feira. Em seção de folha refrigerada, prefira etiqueta plastificada ou ESL se o orçamento permitir. Papel comum em hortifruti dura em média 3 dias antes de ficar ilegível.
Quantas vezes por semana preciso auditar as etiquetas?
Diariamente na abertura, com walking-check de 15 minutos nas seções de alta rotatividade. Semanalmente, uma auditoria amostral de 50 a 100 SKUs aleatorios com conferência contra o PDV. Mensalmente, revisao completa do mix e do layout de etiqueta. Meta: zero autos do Procon e menos de 3 reclamações de preço por mês em loja média.